Que sorte a dele…

pai-e-filhaEla tinha 21 anos quando perdeu o pai. Para mim, é humanamente impossível imaginar o quanto ela sofreu. Eu vivo pelo meu pai, pela minha mãe e pelo meu irmão.

Mas, sinceramente, nunca parei para pensar como deve ser difícil crescer dessa forma. Sem seu pai para te ajudar, para dar conselhos, para ter ciúme e para pagar suas contas enquanto você cresce, arrisca, quebra a cara e descobre o que quer fazer da vida.

Mas nos últimos tempos eu tenho pensado, por causa dela. Ela cresceu, se formou, virou uma mulher incrível, competente,  motivo de orgulho para a mãe e, com certeza,  para o pai. Fez isso sem sua presença, mas com a lembrança de quem ele foi e sabendo o que ele esperava dela. E agora, formou uma família e agregou algumas outras pessoas a vida dela. Entre elas, o pai do marido.

E agora ele envelheceu e precisa de cuidados. E ela está ali,  não apenas por ser enfermeira, por saber como agir. Ela está lá porque ama: o marido, os filhos e o sogro.

Ela faz porque o que mais queria na vida é que o pai dela estivesse aqui, tivesse envelhecido, vivido, visto seus filhos crescerem e, naturalmente, ficado velhinho. Ela sabe que a vida é assim e que o sogro, mesmo confuso, alheio à realidade, merece cuidados,  carinho, atenção e, mais do que isso, consideração.

Ela faz porque sabe dar o verdadeiro valor a um fato simples: o quanto é bom ter seu pai ao seu lado o máximo de tempo que for possível.  Ela perdeu o pai aos 21 e ele ganhou uma filha depois dos 80. Que sorte a dele…

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