E o que se leva dessa vida?

Senior couple hugging on jettyHoje lembrei, não sei exatamente o motivo, do clichê “o que se leva dessa vida é a vida que se leva”. Talvez porque pessoas que eu amo muito estejam passando por momentos difíceis e porque quando visito meu avô vejo que as limitações aparecem, diariamente e inevitavelmente, para todo mundo.

Mas ai, durante as divagações malucas que vêm à cabeça do meu velhinho, ele lembra de viagens, da cachacinha de todo dia (ou do uísque), de todos os momentos bons que ele vivenciou – e isso me conforta. Mesmo sabendo que nada  vai voltar e que talvez ele nunca mais vá a Itália, conversamos sobre Roma, sobre o assalto sofrido no Coliseu (disso ele lembra) e vejo álbuns dele e da minha avó passeando por Florença. E, talvez seja por isso, que eu sonho tanto e desejo tanta coisa boa para mim e para as pessoas que eu amo.

Porque quando a vida começa a ficar um pouco mais complicada e suas pernas não te levam mais para onde você deseja ir, sua cabeça e suas lembranças te levam. Te levam para momentos com a família, te levam para lugares maravilhosos que você conheceu, te levam para qualquer lugar, qualquer lugar MESMO, com uma condição: que eles estejam alojados no seu subconsciente, quase perdidos, mas encontrados quando você precisa.

O dia a dia é tão difícil, tão desgastante que você acaba não lembrando daquela viagem de família que demoraaaava para chegar, mas que você não ligava porque ouvia Queen, Skank e brincava de “adivinha em quem eu estou pensando” com seus pais, seu tio e seu irmão. Você sofre tanto com as dificuldades que esquece que está planejando uma viagem incrível, que conquistou o estágio dos sonhos quando tinha apenas 20 anos e que já foi muito elogiada em vários momentos da sua vida.

E as coisas continuarão assim. Os dias tristes às vezes tomam contam do nosso humor, da nossa esperança, mas temos que nos controlar e continuar vivendo, viajando, batalhando por objetivos e juntando dinheiro para conhecer Roma (e Budapeste, e a Turquia, e Nova York…). Temos que valorizar nossas vitórias, conquistas e momentos simples com nossos pais, o namorado e as amigas do coração. Porque quando ficarmos velhinhos, nossas pernas podem não colaborar, mas nossa cabeça, ah, essa sim será a chave para todas nossas alegrias.

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6 comentários sobre “E o que se leva dessa vida?

  1. Welma disse:

    Prezada Natália:

    Apesar de muito real , o seu texto expressa sensibilidade, maturidade , carinho e amor. E , além disso, escrito de forma a nos prender na leitura.
    Obrigada e um terno abraço ao teu avó .

    Welma

  2. marisa disse:

    Natalia parabens !!!!!!!Muito lindo seu texto,alias tao lindo que chegou a me tocar e trazer lembranças gostosas de quando voce era pequena ,linda uma bonequinha de cabelos enrolados.Hoje vc se tornou uma mulher muito linda inteligente e o melhor!!!Sensivel e amorosa.Bjao pra vc e pra sua familia que eu adoro.

  3. Maria Regina disse:

    Gostei muito do seu texto, é bem real. Já passei dos sessenta e, por experiência própria, reitero o seu pensamento:”o corpo envelhece, fenece, mas a mente amadurece e engrandece” , o que nos faz sentir vivos, alegres e confiantes. Parabéns. Um abraço carinhoso.Maria Regina.

  4. Maria Angela M. Chacon Ruiz disse:

    Natália, lindo texto!! Com verdade, sentimento e muito, mas muito mesmo, talento! Vc conseguiu ilustrar o momento difícil que estão passando com poesia. Linda!! Beijo grande pra vc e todos! Do lado de cá vcs contam com todo o nosso carinho!!

    Mari

  5. Mauro Guedes Castro disse:

    Olha só, aicho muito bonito, eloqüente, agregador, sentimental, abonador as idéias, comentários, teses e etc. contidos neste site. Porem como todo ser humano certamente diferente que somos, tenho uma diferente conotação ao que se refere o tema. Que defino em poucas palavras: Pergunta: O que levamos desta Vida. Resposta: Aicho impossível alguém com vida definir com total veracidade este tema, pois não sei de alguém, não conheci ninguém nem tão pouco as escrituras sagradas menciona o que levaremos realmente desta vida, somente seria possível esta resposta se alguém de nossa espécie pós morte, viesse e nos contemplasse com esta resposta, o que ainda é inviável na humanidade, pois não nos foi concebido tamanha sabedoria, privilegio ou permissão para tanto.

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