(In) compatibilidade

“Vou te falar uma coisa: – o amor faz você superar muita coisa, mas não tudo”. E foi assim que uma amiga minha me fez pensar no texto de hoje. Estávamos falando de incompatibilidade de gênios, de objetivos totalmente diferentes e do amor sustentando tudo isso.

Quer saber? Não, não sustenta.  Esse papinho de que você passa por cima de tudo quando sente esse troço aí é conversa para boi dormir, ou melhor, para mulherzinha que acredita em conto de fadas dormir.  Querem uma historinha para exemplificar?

É só pensar em qualquer casal que é visivelmente incompatível. Existem os casos extremos e revoltantes como aquele do cara barrigudo que quer viver de sombra e água fresca, não sabe o que quer da vida e se encosta na mulher  madura, bem resolvida e linda (podem inverter os papeis porque tem muita mulher fútil por aí), mas nem precisamos ir muito longe.

Vamos ao simples mesmo: o cara respira esportes radicais, quer viver viajando, com a mochila nas costas e ela? É uma dondoca que não pode pisar na areia. Ou, ele não quer saber da mãe, mora sozinho desde os 15 e odeia almoços de família. Ela? Vive pelos avós e não perde um evento familiar. E por aí vai: a jornalista cult com o coxinha do ITA, o fanático por música eletrônica com a amante de Chico Buarque, o zé droguinha com a miss antidrogas, o ecochato com a bonequinha que adora um casaco de pele.

O amor supera? Sim, supera, mas pera lá né? Vamos combinar que é muito mais fácil e saudável amar o seu companheiro, o seu parceiro, o cara ou a mulher que tem tudo a ver com você. É uma delícia discutir o sabor da pizza, fazer um esforço para tomar coca normal porque ele odeia a zero e é extremamente compreensível frequentar uma balada que você odeia, abrir mão do sanduíche para se jogar no peixe cru.   É saudável discutir ideias que divergem e é ótimo ver que ele está acompanhando sua série preferida mesmo sabendo que ele odeia tudo aquilo. E sabe por quê?  Essa incompatibilidade é aquela incompatibilidade totalmente saborosa e simples de lidar, aquela (in)compatibilidade que te mostra o quanto vocês são parecidos.

Já o esforço de se encaixar, de suportar algo que você odeia e o sofrimento para se adaptar é outra história. Abrir mão da sua vida, dos seus princípios e dos seus gostos não é prova de amor, é burrice,  esforço inútil. O melhor mesmo é criar vergonha na cara, deixar esse ser desajustado a você encontrar alguém que se encaixe a ele e, assim, os dois podem partir para outra e tentar curtir aqueles desajustes deliciosos de serem ajustados porque esses sim valem a pena.

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2 comentários sobre “(In) compatibilidade

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