Um dia de chuva…

Pela janela eu vi que o tempo estava ruim, mas achei que a chuva tinha parado. O céu estava cinza, anunciava o tempo feio, mas água mesmo, parecia não cair.  Ao pisar no lado de fora da empresa, vi que estava enganada. Aquela chuvinha fina, que passa quase imperceptível, caía e esfriava cada milímetro do meu corpo. Se você passa 10 segundos debaixo dessas fagulhas afiadas de água, a capacidade de molhar é quase nula. Mas andando por um tempo, você começa sentir seu corpo frio, gelado, molhado. Além disso, essa chuva não causa enchentes, pânico, mas turva a visão.

Enquanto eu caminhava até meu carro (a quilômetros de distância), comecei a pensar em outro tipo de chuva, a chuva de verão – aquela que cai de repente. O céu está azul, muitas vezes sem nuvens, e você se pergunta da onde surgiu tanta água. Aquela chuva – se te pega desprevenida – te encharca até a alma num piscar de olhos e não te dá tempo de pensar, se preparar, de fugir.

E acho que a paixão é assim, o sexo também. Uma vontade, um sentimento que você tira de letra e curte sem pudor quando você está de biquíni, na praia… Mas que pode mudar o seu dia quando você está com roupa de trabalho, indo para uma reunião, em momentos que você não quer ou não pode ser pega de surpresa.

E está aí o motivo para certas pessoas preferirem a chuva fininha, aquela que avisa que está caindo, que pode nem molhar, nem te afetar, só te faz sentir, com o tempo, que ela chegou.  A chuva fininha, se cai por um período longo, pode te gelar muito mais do que a chuva de verão, mas ela te invade de maneira lenta, paciente, discreta.

Mas essa chuva não te dá tesão, não faz seu coração disparar, não dá impressão que seu estômago está dando cambalhotas… E aí? O que você faz sem os braços abertos, os cabelos molhados e aquela sensação de que foi pega desprevenida e que quer aproveitar, aproveitar MUITO aquela chuva de verão? Por outro lado, sempre vai existir o medo de aproveitar cada segundo e ela acabar, rapidamente, da mesma maneira que começou.

A solução? Aproveitar a água que cai causando estragos, tesão, paixão e torcer para não acabar de repente. Torcer para ela apenas diminuir e se transformar na chuva fininha, que não acaba, que te dá segurança. Te molha, sim, mas também  te oferece o tempo necessário para saber o que está fazendo, com quem está se envolvendo e se quer, ou não, continuar caminhando…

E, de tempos em tempos, aquela chuva de verão vai cair – a gente tem que fazer cair – para colocar pimenta, borboletas no estômago, olhos brilhantes, gargalhadas e muita paixão na chuva fininha, que vai ser a base de todo o seu trajeto.  E você? Sabe do que eu estou falando?

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4 comentários sobre “Um dia de chuva…

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